quarta-feira, 5 de março de 2008

Pesquisa com céluas-tronco embrionárias


Acessei hoje O Velho e me deparei com esse texto que transcrevo abaixo. Não sei o nome do cara que o escreveu, mas faço minha as suas palávras. Você pode ler o texto e seus comentários diretamente no site, clicando aqui, ou acompanhe a reprodução que fiz abaixo.


Hoje, a partir das 14h, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510, que pede a revogação dos dispositivos da Lei 11.105/05 (Lei de Biossegurança) que permitem a pesquisa com células-tronco embrionárias.

Dependendo da ótica, podemos dizer também que hoje o Brasil escolhe o seu caminho para o futuro. Escolhe entre uma estrada reta, ampla como a aceitação popular, bem pavimentada pela sua competência científica adquirida ao longo de anos de pesquisa; e iluminada pelos holofotes da sabedoria, do conhecimento e da independência científica e tecnológica; ou entre uma estrada "de chão", que na verdade é um retorno de 180o, que leva ao obscuro futuro da dependência, dos mitos, dogmas e credices. Da confusão entre a Igreja e o Estado, que em sua expressão máxima leva ao fundamentalismo. Uma verdadeira "marcha-à-ré" em nossa sociedade, e do seu papel no mundo globalizado.

De Agnóstico praticante na juventude, a idade tem me brindado com uma revisão da minha espiritualidade, onde antigos conceitos e pré-conceitos são revistos sobre os cabelos já grisalhos. Entretanto, na minha opinião, a igreja católica (e quem mais se declarar hoje contra as pesquisas com células-tronco embrionárias) estará dando um "tiro no pé" na sua já sofrida popularidade. Batalhas perdidas em diversos países pela igreja nos lembram os anticoncepcionais, homossexualidade, a negação do aborto e da eutanásia. Esse me parece ser mais um motivo para futuros arrependimentos e pedidos de desculpas formais do Papa, onde, lamentavelmente, a igreja tem levado alguns séculos para reconhecer seus erros, seja apoiando a escravidão, seja queimando astrônomos nas fogueiras da inquisição. Entre outros. Parece que foi escrito ontem o texto A Igreja e o Estado, de 1910, de Mikhail Bakunin, que termina dizendo "...Se não quisermos que o progresso seja, em nosso século, um sonho mentiroso, devemos acabar com a Igreja.".

No âmbito jurídico, o argumento pode ser feito até por um estagiário de direito pois, afinal, a definição de "morte" para a legislação brasileira corresponde a ausência de atividade cerebral. Assim, por conseguinte, embriões com 14 dias, ou pouco mais, não podem ser considerados "vivos".

Por fim, ingênuo é aquele que pensa que uma sentença dessas envolve apenas o que foi grosseiramente pincelado ai em cima. As forças envolvidas nessa batalha são gigantescas, seculares e poderosíssimas. Igreja, Ciência, Estado, Sociedade e Indivíduo reafirmam seu poder e seu papel. Contudo, na prática, isso pouco importa para aqueles que estão presos as limitações e sentenças das suas doenças hoje ditas como incuráveis. O que importa de fato é a sentença dos nossos Magistrados. Particularmente tenho grandes esperanças que iremos da direção do futuro, e não do passado. E por isso rezo fervorosamente, por mais contraditório que possa parecer!


2 comentários:

O Velho disse...

"O nome do cara que escreveu" é "O Velho" ué?!

Tião Vitor disse...

Não. "O Velho" (http://www.ovelho.com/) é o nome do site. Não sei o nome de quem escreve.