quinta-feira, 30 de agosto de 2007

DEGUSTAÇÃO DE VINHO EM MINAS

Aline Cristina

- Hummm...- Eca!!!

- Eca???? Quem falou Eca?

- Fui eu, sô! O senhor num acha que

esse vinho ta com um gostim estranho?

- Que é isso?! Ele lembra frutas secas

adamascadas, com leve toque de trufas

brancas, revelando um retrogosto persistente,

mas sutil, que enevoa as papilas de

lembranças tropicais atávicas...

- Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo?!

- Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?

- Cebesta, eu não! Sou isso não senhor!!

Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à

minha egüinha Gertrudes depois da chuva, la isso tá!

- Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild!

- O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor

sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro.

O senhor tá gripado, é ?

- Não, meu amigo, são técnicas internacionais de

degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre

na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar

a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar

o vinho e, então...

- E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu

frutinha adamascada!!!

- O querido não entendeu. O que eu quero

é introduzí-lo no...

- Mais num vai introduzí mais é nunca!

Desafasta, coisa ruim!

- Calma! O senhor precisa conhecer nosso

grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos

apreciar uns franceses jovens...

- Hã-hã... eu sabia que tinha francês

nessa história lazarenta...

- O senhor poderia começar com

um Beaujolais!

- Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é

home, safardana!

- Então, que tal um mais encorpado

- Óia lá, ocê tá brincano com fogo...

- Ou, então, um suave fresco!

- Seu moço, tome tento, que a minha mão já ta

coçando de vontade de meter um tapa na

sua cara desavergonhada!!!

- Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro.

O senhor vai gostar!

- Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, memo!!!

Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu

fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta...

- Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?

- E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?

- Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor

prefere um duro e macio, acertei?

- Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão

sarnento!!! Engulidô de rôia!!!

- Mole e redondo, com bouquet forte?

- Agora, ocê pulô o corguim!!! E é um... e

é dois... e é treis!!! Num corre, não, fiodaputa!

Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!!!...

2 comentários:

Guilherme Nascimento Valadares disse...

Sou mineiro tb, adorei o texto, cara!

Tá de parabéns mesmo.

Abração,

Guilherme

Cartunista Braga disse...

A história do mineirinho é perfeita. Nem precisa ser tão cangote duro pra ter raiva de gente metida a besta com um copo de vinho na mão e neguim que, às vezes, não tem no cu o que um periquito roa.