quarta-feira, 18 de março de 2009

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Homem Aranha do Terceiro Mundo

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ET FDP

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sexta-feira, 13 de março de 2009

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O peixinho da Semana Santa

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quinta-feira, 12 de março de 2009

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Para os fãs de High School Musical
(desaconselhável para menores)


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sábado, 7 de março de 2009

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ACREANO OU ACRIANO?

Luísa Galvão Lessa
Membro da Academia Acreana de Letras
Membro da Academia Brasileira de Filologia


Tem-se observado, nos primeiros meses deste 2009, o uso surpreendente do adjetivo gentílico acriano ao invés de acreano. Este último tem o uso consagrado em meio à população regional. Indaga-se, então, quem resolveu, de última hora, mudar a forma de grafar o adjetivo? A Academia Acreana de Letras, Lei, Decreto Governamental, vontade popular?

Recomenda o bom senso e a política do idioma observar alguns pontos fundamentais. Uma língua não muda de uma hora para outra. As mudanças se dão de forma gradativa, sem que os falantes percebam. Habitualmente, essas mudanças ocorrem por forças de fatores internos ou externos, tais como influência de outro idioma, avanços tecnológicos que alteram ou modificam os hábitos de vida das pessoas, índice de escolaridade, fatores culturais etc. E, quando a vida muda, a tendência da língua é acompanhar as mudanças gradativas que se dão no seio de uma comunidade. Mas nada acontece da noite para o dia, exceto os casos expressos em Lei.

Aqui no Brasil, por Decreto, já se proibiu o uso da língua tupi. E aquelas pessoas apanhadas na rua, falando o idioma nativo, deviam ser punidas severamente. E, agora, também será assim? Quem for flagrado falando acreano ou escrevendo acreano vai ser preso? E quem tem num documento escrito ser acreano, também será castigado? Recomenda o bom senso ter-se cuidado e atenção com essas medidas repentinas. Tudo requer estudo, análise, pesquisa e, até mesmo, consulta popular. Já se mudou o fuso horário do Acre sem consulta à população, que hoje amarga o despertar no escuro para ir à escola, ao trabalho.

Considerando o caso epigrafado neste texto, passa-se a fazer um breve estudo de caso sobre o uso “certo” ou “errado” desse adjetivo acriano ou acreano.

I - ADJETIVOS PÁTRIOS

São os adjetivos que indicam a nacionalidade, a pátria, o lugar de origem dos seres em geral. Pode ser chamado de gentílico, quando designa grupos étnicos ou raça. A maioria desses adjetivos forma-se pelo acréscimo de um sufixo ao substantivo que os origina. Os principais sufixos formadores de adjetivos pátrios são: -aco, -ano, -ão, -eiro, -ês, -ense, -eu, -ino, -ita. Vejam-se alguns deles:
Açores = açoriano; Campinas = campineiro, campinense; Goiânia= goianiense; Lisboa = lisboeta, lisbonense; Maceió = maceioense; África = africano; América = americano; Ásia = asiático; Europa = europeu.

II - ESTADOS DO BRASIL

Acre = acreano, acriano. Segundo o Formulário Ortográfico, a forma adequada é acriano, mas, sem dúvidas, a forma preferida da população é acreano, considerando ser a forma usual do povo desde a criação do Território do Acre. Assim, o uso faz a força e não o contrário; Rondônia = rondoniano, rondoniense (duas formas); Sergipe = sergipano;Teresina = teresinense; Santa Catarina = catarinense, santa-catarinense, catarineta, catarinete, caterinete, catarino, barriga-verde (sete formas); Goiânia = goianiense. São uns poucos exemplos a ilustrar o uso que se faz desses adjetivos, em obediência ao processo de formação de palavras e, também, em respeito ao uso eleito pela população.

III – REGISTRO EM DICIONÁRIOS RESPEITÁVEIS DO IDIOMA PÁTRIO: AURÉLIO, HOUAISS e NASCENTES

3.1. Provável etimologia
Topônimo Acre (Brasil) + -iano é uma provável alteração de Aquiri, forma pela qual os exploradores da região grafavam a palavra Uwákürü (ou Uakiry), vocábulo do dialeto Ipurinã. Em 1878, o colonizador João Gabriel de Carvalho Melo escreveu ao comerciante paraense, Visconde de Santo Elias, pedindo-lhe mercadorias destinadas à "boca do rio Aquiri". Como em Belém o dono e os empregados do estabelecimento comercial não conseguissem entender a letra de João Gabriel ou porque este, apressadamente, tivesse grafado Acri ou Aqri, em vez de Aquiri, as mercadorias e faturas chegaram ao colonizador como destinadas ao Rio Acre - esta é a versão encampada pelo IBGE. Todavia, há outras hipóteses: der. de Yasi'ri, Ysi'ri 'água corrente, veloz' ou do tupi a'kir ü interpretado como'rio verde'; var. acreano; cf. Nascentes (vol. II).

3.2. Acreano, adjetivo e substantivo masculino relativo ao Estado do Acre ou o que é seu natural ou habitante; acreano. (Houaiss)


3.3. Acriano - [Do top. Acre + -iano.]

Adj.
1. Do, ou pertencente, ou relativo ao Estado do Acre.
S. m.
2. O natural ou habitante do Acre.
[É menos boa a grafia oficial, acreano.] (Aurélio). Mas não diz ser errada.

3.4. Acreano

Adj.
S. m.
1. V. acriano. Aqui, também, o estudioso considera as duas formas. (Aurélio)

IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS


O filólogo Antônio Houaiss (foi meu professor e faleceu em 1989), autor do Projeto da atual Reforma Ortográfica entre países de Língua Portuguesa, um dos homens mais cultos que este país já contou entre seus ilustres filhos, afirma que, desde 1911, vem impondo-se, na língua culta, a regra segundo a qual só se escreverá –eano quando a sílaba tônica do derivante for “e” tônico ou ditongo tônico com base em “e” ou, em que, mesmo átono, o “e” for seguido de vogal átona. Exemplos: arqueano (Arqueu), daumeano (Daomé), egeano (Egeu), galileano (Galileu), lineano (Lineu). Os demais serão sempre em –iano: acriano (Acre), ciceroniano (Cícero), freudiano (Freud), Camiliano (Camilo) etc. Em obediência a essa regra, teríamos de escrever acriano (com “i”).

De qualquer forma, quem elabora a evolução, quem faz a língua, contrariando, às vezes, a forma proposta pelos gramáticos e filólogos, é o falante. E este, no caso específico, ainda não decidiu nada. Percebo que começam, agora, a avistar, pela primeira vez, o adjetivo gentílico “acriano”. Algumas pessoas até se assustam e pensam tratar-se de erro crasso, uma gralha condenável. Assim, embora os gramáticos e dicionaristas tradicionais como “Aurélio” e “Houaiss” tragam acriano como ‘a melhor forma’, não se pode perder de vista que o uso faz a forma. E desde que o Acre é Acre sempre se escreveu acreano.

Tenho 61 anos e nunca vi outra grafia aqui em nossa terra. Seria o caso de indagar-se à população, por um plebiscito, se desejam ser “acreanos” ou “acrianos”. A depender de uma resposta positiva pela nova grafia, que ora figura em textos oficiais e em jornais locais, haveria um Projeto de Lei confirmando a nova forma. Esta seria comunicada aos poderes constituídos para adoção do uso nos documentos oficiais, livros, cartórios etc. Não se muda uma forma pelo gosto de uns poucos e sim pela opção da maioria das pessoas.

Desse modo, compreendo que somente o futuro dirá se a forma predominante será acriano (com “i”) ou acreano (com “e”). A própria autoridade competente poderá, futuramente, determinar qual a forma oficial a ser utilizada. Também poderá deixar permanecer as duas formas: acreano e acriano. É estudo que pode ser solicitado à Academia Acreana de Letras. Consideram-se, ao final, as sábias palavras de Fernão de Oliveira (1536), nosso primeiro gramático, ao dizer: ‘os homens fazem a língua e não a língua os homens’.

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Luísa Galvão Lessa – É Doutora em Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

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Curso de Formação de Maridos
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Objetivo pedagógico:
Permite aos homens desenvolver a parte do corpo da qual ignoram a existência (o cérebro).


São 4 módulos:

Módulo 1: Introdução (Obrigatório)

1 - Aprender a viver sem a mamãe. (2.000 horas)
2 - Minha mulher não é minha mãe. (350 horas)
3 - Entender que não se classificar para o Mundial não é a morte. (500 horas)

Módulo 2: Vida a dois

1 - Ser pai e não ter ciúmes do filho. (50 horas)
2 - Deixar de dizer impropérios quando a mulher recebe suas amigas. (500 horas)
3 - Superar a síndrome do 'o controle remoto é meu'. (550 horas)
4 - Não urinar fora do vaso.. (1000 horas - exercícios práticos em vídeo)
5 - Entender que os sapatos não vão sozinhos para o armário. (800 horas)
6 - Como chegar ao cesto de roupa suja. (500 horas)
7 - Como sobreviver a um resfriado sem agonizar. (450 horas)

Módulo 3: Tempo livre

1 - Passar uma camisa em menos de duas horas. (exercícios práticos)
2 - Tomar a cerveja sem arrotar, quando se está à mesa. (exercícios práticos)

Módulo 4: Curso de cozinha

1 - Nível 1. (principiantes - os eletrodomésticos) ON/OFF = LIGA/DESLIGA
2 - Nível 2. (avançado) Minha primeira sopa instantânea sem queimar a Panela.
3 - Exercícios práticos Ferver a água antes de por o macarrão.

Cursos Complementares
(Por razões de dificuldade, complexidade e entendimento dos temas, os cursos terão no máximo três alunos)

1 - A eletricidade e eu: vantagens econômicas de contar com um técnico competente para fazer reparos.
2 - Cozinhar e limpar a cozinha não provoca impotência nem homossexualidade. (práticas em laboratório)
3 - Porque não é crime presentear com flores, embora já tenha se casado com ela.
4 - O rolo de papel higiênico: Ele nasce ao lado do vaso sanitário? (biólogos e físicos falarão sobre o tema da geração espontânea)
5 - Como baixar a tampa do vaso passo a passo. (teleconferência)
6 - Porque não é necessário agitar os lençóis depois de emitir gases intestinais. (exercícios de reflexão em dupla)
7 - Os homens dirigindo, podem SIM, pedir informação sem se perderem ou correr o risco de parecerem impotentes. (testemunhos)
8 - O detergente: doses, consumo e aplicação. Práticas para evitar acabar com a casa.
9 - A lavadora de roupas: esse grande mistério.
10 - Diferenças fundamentais entre o cesto de roupas sujas e o chão. (exercícios com musicoterapia)
11 - A xícara de café: ela levita, indo da mesa à pia? (exercícios Dirigidos por Mister M)
12 - Analisar detidamente as causas anatômicas, fisiológicas e/ou psicológicas que não permitem secar o banheiro depois do banho.
O curso é gratuito para homens solteiros e para os casados damos bolsas.


(Colaboração de Bento Marques)

quarta-feira, 4 de março de 2009

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A questão do IDH do Jordão
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Tenho acompanhado nos últimos dias a polêmica da matéria divulgada pelo Fantástico, da Rede Globo, no domingo último. A reportagem falava sobre as três cidades brasileiras com o menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que é um dos parâmetros tomados pela Organização das Nações Unidas (ONU) para medir a qualidade de vida das populações em todo o mundo. O município de Jordão, no interior do Acre, foi uma das cidades abordadas.

Há vários anos se discute a questão do IDH de Jordão. O baixo índice no indicador da ONU é conhecido de todos no Estado, não é uma novidade que a tevê trouxe.

A reação no Estado foi de indignação e suscitou declarações apaixonadas, como se o Acre tivesse sido ferido mortalmente. Foi como se a matéria tivesse sido baseada em fatos inverídicos e feita com a incumbência de enlamear a honra dos acrianos. “Uma peça de mau gosto, desinformada, mentirosa, antiamazônica, antiflorestal e anti-indígena”, como afirmou o deputado Moisés Diniz.

Não é bem assim. A verdade está lá para quem quiser ver. Talvez Jordão não tenha o pior IDH do Brasil, mas é, sim, um dos municípios mais pobres do país e um com as piores condições de vida. Eu estive lá recentemente acompanhando uma das sessões do programa Assembleia Aberta, desenvolvido pela Assembleia Legislativa do Acre, em meados do ano passado. Vi que a realidade é bem pior do que foi mostrado na reportagem do Fantástico.

Diniz e tantos outros fizeram comparações sem propósitos do tipo que no Jordão não se come chuchu, mas se “come mandioca cozida, cuscuz de milho, banana, mamão, manga, goiaba e bebe caldo de cana”. É verdade, mas isso não encobre o fato de o município ter altos índices de desnutrição, verminose e outras mazelas, ou que em Jordão não se convive com a violência comum nas grandes favelas, o que também não encobre o fato da enorme violência de mais da metade da população em idade escolar estar fora da sala de aula. É mais uma geração de analfabetos que se forma na cidade.

Se não come chuchu em Jordão é porque verdadeiramente não tem, assim como o tomate, a cebola e tantas outras verduras. O que tem vem de fora. Também não existe por lá o incentivo ao plantio do açaí, do patoá, da pupunha ou tantos outros que possam servir de complemento alimentar. O que se consome por lá provém da coleta e nada mais.

A matéria divulgada também não culpa o atual governo de Binho Marques por isso nem o governo anterior de Jorge Viana. Quem conhece o Acre sabe que a questão é bem diferente. O Estado cresceu muito desde o primeiro mandato da Frente Popular em 1999. A qualidade de vida das populações do interior melhorou muito desde então.

As cidades acrianas passaram a ter um acompanhamento por parte do governo central que antes jamais pensaram ter. Houve melhoria na infraestrutura básica e saneamento, na saúde, na educação e na segurança pública. Talvez a situação de Jordão fosse pior se a Frente Popular não tivesse assumido as rédeas do Estado.

Tudo isso, porém, não foi suficiente para Jordão. O caso de lá se deve a uma série de fatores que fogem ao controle imediato de um governante estadual. É resultado de anos de más administrações municipais, desgovernos que não levaram em conta as necessidades da população. É o resultado de maus políticos das esferas estadual e federal, que durante legislaturas e mais legislaturas negaram voltar os olhos para as condições em que as populações mais humildes vivem. Para se ter uma idéia durante o Assembleia Aberta, todos os deputados estaduais foram convocados, alguns faltaram e a maioria dos que compareceram não ficou sequer duas horas na cidade.


Há ainda outros tantos fatores que sequer estão sendo levantados aqui e que influem, diretamente ou não, para as condições precárias em que se vive ali e em outras regiões do Acre ou da Amazônia. Sem vencer esses problemas e entraves não adianta criar outro índice, seja ele qual for, que Jordão continuará miserável como sempre foi.

Em vez das críticas à matéria, seria de bom-senso discutir essas questões. Buscar viabilidades econômicas para aquela população, combater as questões culturais ou mesmo estruturais que afastam os jovens da escola, incitar a atuação municipal por políticas públicas de geração de emprego e renda e pressionar o governo federal por uma distribuição de recursos que privilegie mais os municípios pobres do interior do país.


Há muita coisa boa que pode ser feita para melhorar a situação de Jordão. O Assembleia Aberta é uma delas, pois colocou a população da cidade pela primeira vez em contato com os parlamentares estaduais e alguns federais. A abertura da estrada ligando Rio Branco a Cruzeiro do Sul pelo governo do Estado até meados do ano que vem é outra, pois dará maior condição de acesso a bens de consumo às cidades do interior e, embora ainda não se vislumbre estrada para o Jordão, é certo que a cidade se beneficiará com o fim do isolamento de outras cidades próximas, como Tarauacá.


A matéria da Globo não deveria indignar, deveria mobilizar em defesa de Jordão. Ela nos envergonha, não há dúvida, mas mais envergonhados ficaremos se, em alguns anos, ela for repetida e novamente Jordão figurar na lista do pior IDH do país. Essa é a verdade.

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